“O oceano conta histórias.
A matéria guarda seus vestígios.
E a arte faz nascer outros mares em nosso olhar.”
Cartografias do invisível são mapas poéticos de histórias que não vemos por inteiro. Nos troncos, as marcas da água e do tempo revelam pistas desses caminhos. O invisível é também aquilo que só percebemos quando olhamos com atenção.
Nesta obra, uso troncos que recolho nas praias de Ubatuba, trazidos pela água e deixados na areia.
As marcas do sal, do sol e do tempo contam parte de uma história que começou antes de mim. Preservo essas marcas: são memórias da água.
Luz, transparências, cores e lentes de aumento convidam a chegar mais perto e descobrir formas, sombras e pequenos detalhes.
Também utilizo chapas de acrílico reciclado. O reaproveitamento de materiais e a circularidade fazem parte desse cuidado.
Eles chegam à praia carregados pela água.
Eu os recolho.
A obra lhes oferece uma nova existência.
E, através dela, eles voltam a falar sobre a água.
Assim, a obra não busca simplesmente representar o oceano. A obra procura tornar perceptíveis seus vestígios, seus deslocamentos e sua capacidade de transformar a matéria.
Em um momento em que somos chamados a repensar nossa relação com o oceano, com os resíduos, com os recursos naturais e com os ecossistemas dos quais fazemos parte, acredito na arte como um território de sensibilização e transformação do olhar.
Talvez seja preciso olhar de muito perto para compreender aquilo que estamos perdendo.
Cristina Prado
ARTE · CIÊNCIA · CULTURA OCEÂNICA